Lá ao longe se via a primeira poeira que os pés calçados levantavam, no relógio do céu, aproximadamente 19:00 horas, o sol já tinha se posto e o matagal cobria o caminho que levava ao local de barro batido. Pontuais, os músicos caminhavam um atrás do outro, numa fila que mais pareciam um trêm, que soltava fumaça de poeira, a alegria era sentida por alguns deles os outros iam pelo dinheiro.
Noutro canto da cidade Carolina, que se vestia de rosa com flores, calçava seu tamanco e se balançava ao som de uma música imaginária que ela mesmo compunha, uma mistura do que de melhor ouviu durante sua pequena vida. Carolina fizera 16 anos no último domingo e aquela seria a segunda comemoração desta data que ela considerava tão especial.
Pediu a bença ao pai, à mãe e brincou com o vira-lata que balançava seu rabo na porta da humilde casa, feita de barro, madeira e palha, sem nenhum conforto claro, mas, nos rostos daqueles três presentes não se via sequer um pingo de tristeza ou tão menos uma rusga por não estar morando em um palacete na cidade grande.
Já na rua encontrou Manoela, Chiquinha e Maria das Dores que gritaram quando a viram, fizeram uma roda ao redor de Carolina e sorriram e rodaram e sorriram e rodaram... Até que o pai de Carolina gritou da janela, de onde observava a felicidade das quatro lindas meninas.
- Tomem rumo, que o caminho é longo! Vão...
Aquilo, mais que uma ordem, foi um convite à caminhada, postaram-se de encontro ao caminho e bateram perna, riram novamente, e partiram. A conversa no caminho oscilava entre meninos, música e a festa que conseguiria reunir ambos os desejados sonhos.
O "Forró do Bole-Bole" era famoso em toda região, pessoas de outras cidades e até outros estados apareciam por lá, era a chance de conhecer gente interessante, conversar e dançar até o suor virar lama...
Quando chegaram a festa estava começando, a zabumba ao longe começou a marcar o passo das meninas, dois para frente, um para trás, nunca estiveram tão felizes, pela primeira vez poderiam ir a um forró sem a presença dos pais ou dos irmãos mais velhos.
(à terminar... sem saco)